Serendipity

The laws of chance, strange as it seems,
Take us exactly where we most likely need to be
[David Byrne]

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Estações


Hoje vim a pé. As árvores do parque, tal como as da avenida, estão baralhadas quanto ao que vestir.

Aulas de dança

And when you wrap your arms around me
And when you take me close and say
That you´re so happy and so glad you´ve found me
You take my rainy days and make them go away

[de «Dancing Lessons», Sinead O’Connor]

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Diz que nevou

Em Lisboa, às oito da manhã de ontem. E, alterando um pouco uma observação d’Os Amigos de Alex, esperava que me acordassem quando alguma coisa de espectacular acontece.

What a man can be, he must be

"It refers to the desire for self-fulfillment, namely, to the tendency for him to become actualized in what he is potentially. This tendency might be phrased as the desire to become more and more what one is, to become everything that one is capable of becoming".

A. H. Maslow "A Theory of human motivation"

domingo, 28 de janeiro de 2007

Viaggio in Italia


volante à direita

Conduzir é das acções que melhor simboliza a independência. Conduzir é controlar, dirigir, decidir. A observação de um casal perante o volante pode ser reveladora.

    “A viagem é conduzida pela mulher, como sempre o será ao longo do filme, porque é ela quem vê quase tudo o que o marido não vê, como é ela que o chama no final. Mas ela sem ele não existe. Por isso ele tem que conduzir também (...).”
    [do texto de João Bénard da Costa sobre «Viaggio in Italia»]

Isto fez-me lembrar uma conversa recente em que me defini como uma “falsa independente” (a minha irmã respondeu “enganas bem!”). Atiro-me para o volante e depois custa-me ficar sozinha com o fardo da condução, da escolha do melhor caminho, da responsabilidade pelo estacionamento. Porque “ele tem que conduzir também”.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Nunca é tarde (cont.)

Sempre que temos um bocadinho de tempo, o meu avô aproveita para se dar a conhecer, nomeadamente, lendo-me poemas de sua autoria. Aqui fica um soneto que ele me trouxe e com o qual ganhou um concurso de poesia em 1949.

Noite

A noite é fria, escura como breu.
Oiço-lhe a voz, o vento num carpir
E meditando, lúgubre, estou eu
Tentando aprofundar o seu sentir.

E à tentação de contemplar o céu
Meu coração não pôde resistir
Sendo envolto também no negro véu
Que na gélida noite veio cair.

E toda esta tristeza é muda e calma;
Até a noite é triste na sua alma,
Vejo caírem lágrimas dos céus.

Alma que por ser negra tem momentos
Em que chora sozinha os seus tormentos
Como eu choro também lembrando os meus.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Resiliência

"É a capacidade de um indivíduo de ultrapassar os traumatismos e construir-se apesar das feridas".

Está visto que me falta qualquer coisa mas, felizmente, não é o conteúdo desta palavra cara.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

O assunto

Elaine - I'm in love!
Jerry - Whoa!
Elaine - This is it, Jerry! This is it! He is such an incredible person. He's real, he's honest, he's unpretentious. Oh, I'm really lucky! (…) And, the best part is, he doesn't play games. You know? There are no games!
Jerry - No games? What is the point of dating without games? How do you know if you're winning or losing?
Elaine - Well, all I know is, he doesn't like games and he doesn't play games, you know? He has too much character and integrity.
Jerry - Ah ha. And what is his stand on abortion?
Elaine (a fingir que não percebeu) - What?
Jerry - What is his stand... on abortion?
Elaine - Well, I'm sure he's pro-choice.
Jerry - How do you know?
Elaine - Because he, well... he's just so good-looking.

[Seinfeld, época 6, «The Couch»]

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

E espero que o sim ganhe

Há uns anos assisti ao adiamento de um julgamento num processo-crime por aborto. Eu estava na sala por outro assunto e, antes de perceber do que estavam a falar, comecei por notar os constrangimentos que se instalaram. A juíza que não queria marcar data (“pode ser que as coisas mudem...”), o magistrado do Ministério Público que enfiou a cabeça nos papéis, e o advogado que apenas queria assegurar que a nova data não sairia para a comunicação social (“elas não querem ser faladas...”). Foi adiado sine die.

Porquê? Porque não existe ânimo jurídico para julgar criminalmente aquela conduta. Porque aquela conduta não pode ser valorada sem enormes subjectividades que distorcem tudo. Porque não é crime.

Rock chick


Which Rock Chick Are You?

Não percebo. Foi alguma coisa que eu disse?

[Via SR]

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Nunca é tarde

Pode parecer estranho mas não deixa de ser verdade: o meu colega de gabinete é o meu avô materno. Um senhor de setenta e cinco anos, que eu não conhecia assim tão bem até o destino ou a minha mãe (como preferirem) nos ter juntado, há cerca de dois meses.

Ao princípio, não achei que esta originalidade fosse resultar mas desde que começámos a trabalhar, ele não pára de me surpreender com a sua postura profissional, com o seu companheirismo e a sua sinceridade.

Gostei de o ouvir reconhecer que ficou a perder pelo facto de não ter começado a dar-se connosco mais cedo (comigo e com a minha irmã do meio). De facto, desde que ele se separou da minha avó há mais de trinta anos e constituiu família com outra pessoa, que o convívio com as netas se resumia ao dia de Natal.

Durante este tempo todo, eu sabia do meu avô o que a minha mãe contava dele. Ela falava-nos com orgulho e emoção de um pai fantástico, com muitas qualidades e uma vida plena. E eu até aderia a esta versão mas com alguma pena e ressentimento, pelo facto de ele nunca ter manifestado o desejo de nos querer conhecer melhor.

Hoje, vejo-o todos os dias, partilho as suas histórias com gosto, delicio-me a ouvi-lo falar sobre música, discuto com ele a minha visão do ser humano e do mundo e recebo com carinho os beijos que ele faz absoluta questão de nos dar sempre que chega ao escritório.

Foi preciso ele ter ultrapassado os setenta e eu, os trinta, para nos (re)descobrirmos. É certo que terá sido tarde mas, felizmente, não foi nunca.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Super Sam

Psicologicamente confusa mas incansável no combate ao tédio.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Eu vi

Eu vi quando você me viu
Seus olhos buscaram nos meus
O mesmo pecado febril
Eu vi... pois é, eu reparei
Você me tirou todo o ar
Pra que eu pudesse respirar
Eu sei que ninguém percebeu
Foi só você e eu

[Maria Rita, e a música chama-se...]

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Recomenda-se

À conta do facto da autora deste livro me dar aulas e do mesmo constar da minha bibliografia quase obrigatória, no âmbito do curso que estou a tirar, o nosso último jantar (desculpem lá a lasanha e o esparregado congelado) foi pretexto para mais uma conversa memorável.

Fico sempre espantada quando constato que apesar de já nos conhecermos tão bem e há tanto tempo, ainda temos várias toneladas de coisas para contar umas às outras. Desta vez, no meio de algum embaraço, ataques de riso e, sobretudo, muita cumplicidade, passámos horas a falar sobre sexo.

domingo, 14 de janeiro de 2007

The Shop Around The Corner (3)

Psychologically, I'm very confused... But personally, I don't feel bad at all.

The Shop Around The Corner (2*)

Depois de comprar os bilhetes, fui lanchar a um café da avenida de Berna porque não tem sido possível circular na Gulbenkian. Estava eu de boca aberta para receber o scone com manteiga quando João Bénard da Costa entrou. Dediquei-me a um olhar fixo e penetrante dirigido às suas costas para lhe agradecer os momentos cinematográficos da minha vida em que teve intervenção directa.

(*vá, uma ajudinha)

O julgamento (3)

I'm starting to believe it should be illegal to deceive a woman's heart, lembrou-se agora a Shakira.

sábado, 13 de janeiro de 2007

[excerto tendencioso do poema “Stop all the clocks, cut off the telephone” de W. H. Auden]

My North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Lá, na rosa-dos-ventos

rosa-dos-ventos s. f. conjunto de todos os rumos determinados no horizonte pelos pontos cardeais, colaterais e subcolaterias; mostrador que tem desenhados os traços que representam aqueles rumos, correspondentes à direcção dos diferentes ventos.

[do Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora]

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Sexist jokes 3 - The silent treatment

A man and his wife were having some problems at home and were giving each other the silent treatment. Suddenly, the man realized that the next day, he would need his wife to wake him at 5:00 am for an early morning business flight.

Not wanting to be the first to break the silence (and lose), he wrote on a piece of paper, "Please wake me at 5:00 am." He left it where he knew she would find it.

The next morning, the man woke up, only to discover it was 9:00 am and he had missed his flight....Furious, he was about to go and see why his wife hadn't wakened him, when he noticed a piece of paper by the bed. The paper said, "It is 5:00 am, wake up."

Sexist jokes 2 - Words

A husband read an article to his wife about how many words women use a day...30,000 to a man's 15,000.

The wife replied:"The reason has to be because we have to repeat everything to men..."

The husband then turned to his wife and asked:"What?"

Sexist jokes 1 - Man vs Woman

A couple drove down a country road for several miles not saying a word. An earlier discussion had led to an argument and neither of them wanted to concede their position.

As they passed a barnyard of mules, goats, and pigs, the husband asked sarcastically:

"Relatives of yours?"

"Yep," the wife replied, "in-laws."

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

O julgamento (2)

"O amor não é um crime vulgar." - Mote do filme Breaking and Entering.

[Estreia a 18 de Janeiro. Chamar-lhe "Assalto e Intromissão" não foi nada boa ideia.]

O julgamento

As amigas apoiam, dão razão em toda a linha, tomam as dores, semicerram os olhos e esfrangalham-lhes a boa imagem que até então detinham. Chamam-lhes os nomes que não me ocorrem. Dedicam-lhes os piores insultos e lançam pragas terríveis. É reconfortante.

Na sequência de um desaire do ano passado, a reacção de que mais gostei foi a de uma amiga cuja indignação ia crescendo crescendo, sem que conseguisse dizer nada. Até que por fim declarou, “ele devia ser condenado!”. Desenvolveu a ideia do ilícito de responsabilidade amorosa, punível tanto por dolo como por negligência. Que ele devia ser julgado e condenado. Que não podia sair impune.

Depois da análise detalhada das penas aplicáveis ao caso concreto, encerrámos a audiência relativa a este arguido. Fez-se justiça.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

"We agree to disagree"

É o resumo perfeito da forma como nos relacionamos as quatro. E, bem vistas as coisas, é a base daquilo a que chamamos respeito.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Outro oráculo dos tempos modernos

Além do shuffle do iPod, também os google ads (v. coluna do lado esquerdo).

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Paris, Je t'Aime

São 18 filmes de 20 realizadores, passados nos diferentes bairros de Paris e com a duração de 5 minutos cada. Os segmentos são muito desiguais, os que são maus são desesperantes e afectaram-me a apreciação dos outros.

Em termos conceptuais, parece não ser difícil ter bons resultados. Cinco minutos é o tempo de um filme publicitário mais longo ou de um videoclip, e em ambos os casos há bons exemplos (aproveito para deixar aqui o meu último vídeo de eleição). Na prática, são mais raros os segmentos apelativos do que aqueles que me deixaram indiferente ou que passaria em fast forward.

Gostei do Oscar Wilde (com a Emily Mortimer e com as duas únicas citações de Wilde que tenho de memória: esta e esta), do 16ème arrondissement (com a Catalina Sandino Moreno de “Maria Cheia de Graça”), do Nick Nolte, da Gena Rowlands (em especial), da Natalie Portman, do Steve Buscemi (médio) e da redacção da americana em Paris. Não gostei do resto. Os mimos, os vampiros e o salão de cabeleireiro oriental foram especialmente penosos.

A confusão de mensagens desordenadas e os sentimentos contraditórios fizeram-me lembrar as mini-peças Urgências.

[Esqueci-me de referir que a sala 3 do Quarteto não reúne as condições mínimas para a projecção de filmes. A tela tem uma faixa longitudinal tão esgaçada que origina uma mancha de luz bem larga no meio da imagem.]

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Ideal romântico (revisto)

"Desenha-me uma ovelha."

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Agradecimento

Obrigada, principezinho. Graças a ti, tive a oportunidade de lhe rever o seu melhor sorriso.